Por Cartola Artie
De que modo o tsunami político que atingiu letalmente o governador do DF - José Roberto Arruda, do DEM, - vai se refletir nas eleições presidenciais do ano que vem? Um parâmetro é a crise do PT em 2005. O partido até sofreu ao ser desossado pela imprensa na esteira das acusações de Roberto Jefferson, mas o presidente da República reelegeu-se com folga dali a um ano.
Aliás, a candidatura de Geraldo Alckmin naufragou de vez quando o tucano decidiu trazer o assunto da "ética" mais para o centro da campanha. Abriu — sem ironia — caixa de pandora e afundou.
É possível que o PT tivesse conseguido eleger alguns deputados a mais se não houvesse o escândalo do dossiê, que estourou bem em cima do primeiro turno, causando certa turbulência. E só. Não há registro de
candidato majoritário do PT que tenha sido derrotado por causa da sequência de confusões em que se meteu o partido naquela época. E os números da eleição interna do PT por estes dias mostraram que a sigla se recuperou com sobras e vai bem, obrigado.
Quatro anos atrás o petismo adotou uma providência eficaz, ainda que dolorosa: removeu cirurgicamente os focos de problema, oferecendo assim, um discurso para o presidente e os demais candidatos da legenda. Diferentemente dos adversários, dizia o PT, nós punimos nossos quadros e militantes que se desviaram do caminho virtuoso. Bem ou mal, essa narrativa blindou o presidente e, em boa medida, o próprio partido.
Agora, o desafio diante da oposição é semelhante: encontrar quem vai ser sacrificado no altar da opinião pública. Como a oposição não tem uma organicidade comparável à do PT, nem um líder para colocar ordem na casa, é para ela uma tarefa mais complicada. Uma cirurgia mais difícil. Com diversos cirurgiões-chefes debruçados sobre o paciente, a chance de cura é menor.
Será que o eleitor infeliz com o comportamento dos políticos do Distrito Federal, a começar do governador do Democratas, vai votar em protesto no PT, por todo o país? Difícil. Mais provável é que esse eleitor, em vez de prestar atenção nos partidos, feche o foco nos candidatos. Entretanto, assim como o presidente em 2006, o candidato precisará de um discurso. Pois, na democracia, partido que não dá satisfações ao eleitor cava a própria sepultura.
Este é o principal problema do governador do Distrito Federal: numa história em que não é possível não haver culpados, o candidato mais óbvio é ele próprio.
Fotos: Google
De que modo o tsunami político que atingiu letalmente o governador do DF - José Roberto Arruda, do DEM, - vai se refletir nas eleições presidenciais do ano que vem? Um parâmetro é a crise do PT em 2005. O partido até sofreu ao ser desossado pela imprensa na esteira das acusações de Roberto Jefferson, mas o presidente da República reelegeu-se com folga dali a um ano.Aliás, a candidatura de Geraldo Alckmin naufragou de vez quando o tucano decidiu trazer o assunto da "ética" mais para o centro da campanha. Abriu — sem ironia — caixa de pandora e afundou.
É possível que o PT tivesse conseguido eleger alguns deputados a mais se não houvesse o escândalo do dossiê, que estourou bem em cima do primeiro turno, causando certa turbulência. E só. Não há registro de
candidato majoritário do PT que tenha sido derrotado por causa da sequência de confusões em que se meteu o partido naquela época. E os números da eleição interna do PT por estes dias mostraram que a sigla se recuperou com sobras e vai bem, obrigado.Quatro anos atrás o petismo adotou uma providência eficaz, ainda que dolorosa: removeu cirurgicamente os focos de problema, oferecendo assim, um discurso para o presidente e os demais candidatos da legenda. Diferentemente dos adversários, dizia o PT, nós punimos nossos quadros e militantes que se desviaram do caminho virtuoso. Bem ou mal, essa narrativa blindou o presidente e, em boa medida, o próprio partido.
Agora, o desafio diante da oposição é semelhante: encontrar quem vai ser sacrificado no altar da opinião pública. Como a oposição não tem uma organicidade comparável à do PT, nem um líder para colocar ordem na casa, é para ela uma tarefa mais complicada. Uma cirurgia mais difícil. Com diversos cirurgiões-chefes debruçados sobre o paciente, a chance de cura é menor.
Será que o eleitor infeliz com o comportamento dos políticos do Distrito Federal, a começar do governador do Democratas, vai votar em protesto no PT, por todo o país? Difícil. Mais provável é que esse eleitor, em vez de prestar atenção nos partidos, feche o foco nos candidatos. Entretanto, assim como o presidente em 2006, o candidato precisará de um discurso. Pois, na democracia, partido que não dá satisfações ao eleitor cava a própria sepultura.Este é o principal problema do governador do Distrito Federal: numa história em que não é possível não haver culpados, o candidato mais óbvio é ele próprio.
Fotos: Google






